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O efeito dos contraceptivos orais na actividade desportiva

Os contraceptivos orais são utilizados por mais de 100 milhões de mulheres em todo o mundo, incluindo atletas de alta competição.

Para um número reduzido de mulheres, o ciclo menstrual é mais uma razão de preocupação durante o período competitivo. Para outras, os sintomas que afectam negativamente a performance como dores menstruais, dores de cabeça e náuseas, são motivo de apreensão.

Neste sentido, muitas atletas fazem uso de contraceptivos orais, tornando-se pertinente perceber qual é o verdadeiro efeito destes fármacos na performance desportiva.

O tipo mais popular de contraceptivo oral é a pílula combinada, com um ciclo de 28 dias, sendo tomada numa rotina de 21:7, ou seja, 21 dias de toma continua da pílula e descanso durante os 7 dias finais.

Neste caso, a pílula tem duas consequências fisiológicas. Em primeiro lugar, ajuda a diminuir os níveis naturais de estrogénio e progesterona durante o ciclo de 28 dias e, em segundo lugar, proporciona quantidades mínimas, mas continuas de progestina e etinilestradiol, necessárias para a inibição da produção de hormona luteinizante (LH) e hormona estimuladora do folículo (FSH), compostos essenciais para a maturação dos folículos do ovário.

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Na verdade, embora se tenha verificado o impacto dos contraceptivos orais na performance desportiva, a verdade é que este efeito é bastante baixo, não havendo necessidade de criar linhas orientadoras para mulheres atletas que tomem a pílula.

Na verdade, e uma vez que a ameaça de sintomas é muitos variável e afecta as mulheres de diferentes formas, se o controlo da menstruação tiver um impacto mais directo na performance, os contraceptivos orais podem indirectamente ajudar a melhorar o desempenho desportivo.

O importante é diferenciar o acompanhamento à atleta que toma a pílula, salientando na resposta de cada uma à contracepção oral.

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Por outro lado, sabemos que um dos principais problemas que afecta esta população é a tríade da mulher atleta, um síndrome composto por distúrbios alimentares, osteoporose e amenorreia.

A amenorreia, definida como atraso na menarca (primeira menstruação), é de origem hipotalâmica, consistindo na estimulação insuficiente do hipotálamo para libertação de LH e FSH.

Este fenómeno é provocado não só pelo excesso de exercício físico, como pela baixa ingestão energética que, em conjunto, provocam sobre estimulação do eixo hipotálamo-hipofise-adrenal e interrompem a função reprodutora.

Neste contexto, os contraceptivos orais podem ser uma vantagem, ajudando a reequilibrar os níveis de progesterona e estrogénio, contrariando a amenorreia.

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Qual a melhor forma de não se esquecer?

Havendo o hábito de escovar os dentes à noite, pode-se colocar a embalagem da pílula num copo com a escova e a pasta de dentes, pois a toma da pílula estará sempre ligada a uma rotina diária. Para além disso, o beneficio desta combinação é que em caso de esquecimento pode sempre tomar na manhã seguinte quando voltar a escovar os dentes.

Este é somente um exemplo que pode ajudar a evitar o esquecimento.

Conclusão

Em suma, as mulheres que usam contraceptivos orais podem ter uma diminuição muito ligeira na performance desportiva, quando comparadas com as mulheres que não usam contraceptivos orais.

Apesar disso, a performance parece ser mais influenciada pelos sintomas do ciclo menstrual pelo que, se a pílula ajudar a controlar a intensidade destes, em alguns casos, pode além de tudo contribuir indirectamente para melhorar o desempenho de mulheres cujos ciclos sejam mais “violentos”.

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