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Doença de Crohn – inflamação crónica do intestino

Este tipo de doença inflamatória intestinal crónica causa inflamação do trato digestivo. Pode provocar dor, ser debilitante e, eventualmente, implicar risco de vida.

Pode afetar todos os grupos etários, essencialmente os adultos jovens, com idade entre os 16 e os 40 anos. Abrange mulheres e homens de igual modo, no entanto, alguns estudos apresentam maior incidência no género feminino.

Cerca de 20% dos pacientes com doença de Crohn têm um familiar, mais frequentemente uma mãe, pai, irmã, irmão, ou um filho, com alguma forma de doença inflamatória do intestino.

Em Portugal, nos últimos anos, tem-se assistido a um aumento desta patologia. A prevalência estimada é de 75 casos por cada 100 mil habitantes.

Apesar de o motivo exato da doença de Crohn não seja totalmente conhecido, sabe-se que envolve um relacionamento entre sistema imunológico, genes e fatores ambientais.

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Em pessoas com doença de Crohn, o sistema imunológico monta uma resposta indevida para o trato intestinal, ocasionando em inflamação.

Causas ambientais não identificadas auxiliam como gatilho a uma resposta imune indevida.

Saiba quais são alguns fatores de risco:

  • O tabagismo – existe um maior risco de aparecimento de doença de Crohn em fumadores, mas o aspeto mais relevante é a influência negativa do tabaco na história natural da doença. O tabaco aumenta a gravidade da doença e em contrapartida diminui a resposta à terapêutica.
  • O historial de doença inflamatória intestinal em familiares de primeiro grau tem uma consequência importante no risco da doença.
  • Viver em centros urbanos industrializados.

Dor abdominal, acompanhada de cólicas, perda de peso e diarreia – são os sinais e sintomas mais comuns da Doença de Crohn

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Geralmente, os sintomas da doença de Crohn são os seguintes:

Dor abdominal, habitual após as refeições

Diarreia

Necessidade urgente de defecar

Sensação de evacuação incompleta

Sangramento retal

Febre

Perda de peso

Perda de apetite

Fadiga

Suores noturnos

Alterações no ciclo menstrual

Quando o intestino grosso é bastante afetado pela doença de Crohn, é comum ocorrer hemorragia retal. Depois de muitos anos, o risco de cancro do cólon (cancro do intestino grosso) aumenta em pessoas que apresentam colite de Crohn.

Cerca de um terço das pessoas com doença de Crohn manifestam problemas ao redor do ânus, principlamente fístulas e fissuras no seu revestimento da membrana mucosa.

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colonoscopia

Tratamento da Doença de Crohn

Como se trata de uma doença auto-imune, o tratamento para esta doença tem como finalidade a indução e manutenção de remissão dos sintomas e controle da inflamação, com consequente melhoria da qualidade de vida do doente.

Conforme o quadro clínico, existem tratamentos eficazes que o Gastroenterologista pode aconselhar e que permitem controlar a doença para que a mesma entre em remissão.

A cirurgia planeada com antecedência na DC pode ser sugerida quando o tratamento médico é impedido de reduzir os sintomas ou quando há uma impedimento (perfuração, obstrução intestinal, hemorragia ou abcesso).

A combinação da terapêutica médica com a cirúrgica possibilita melhorar a qualidade de vida dos doentes.

O doente necessita de acompanhamento médico contínuo sobre o desenvolvimento da sua doença e sobre os possíveis efeitos colaterais dos medicamentos.

Exames de sangue e fezes

Não existem exames laboratoriais próprios para identificar a doença de Crohn, independentemente dos exames de sangue poderem revelar anemia, um número de leucócitos acima do comum, baixas concentrações de albumina e outros sinais de inflamação, como velocidade de hemossedimentação ou nível de proteína reativa C elevados.

O médico pode realizar provas de função hepática.

Se houver a presença de diarreia, o médico pode recolher amostras de fezes para excluir determinadas infecções.

Colonoscopia

As pessoas que apresentam poucas dores e mais diarreia fazem uma colonoscopia (um exame do intestino grosso com um tubo flexível para visualização do mesmo) e uma biópsia (remoção de uma amostra de tecido para exame microscópio).

Caso a doença de Crohn se limite ao intestino delgado, a colonoscopia não revela a doença, a menos que o colonoscópio seja avançado por todo o cólon e até a última parte do intestino delgado, onde a inflamação se situa com maior regularidade.

A importância da alimentação na doença inflamatória intestinal

A dieta para a doença de Crohn é um dos passos fundamentais do tratamento, dado que alguns alimentos podem agravar os sintomas, já que devem ser evitados. Por esse motivo, também se deve, sempre que possível, eleger opções saudáveis e variadas para evitar deficiências nutricionais.

De um modo geral é muito importante que a dieta para esta doença seja pobre em alimentos ricos em açúcares e bebidas com cafeína, já que a cafeína e os açúcares irritam o intestino e são capazes de acentuar os sintomas desta patologia.

alguns alimentos que devem ser evitados, sobretudo quando a doença se encontra activa:

  • Alimentos integrais ou melhorados em fibra como cereais de pequeno almoço integrais, pão integral ou com sementes, muesli, massa e arroz integral ou bolachas digestivas e integrais;
  • Alimentos ricos em cafeína – café, chá preto e chá verde;
  • Refrigerantes, bebidas gaseificadas e bebidas alcoólicas;
  • Alguns condimentos e especiarias – picantes, pimenta, açafrão, entre outros;
  • Alimentos ricos em gordura – batata-frita, pizza, fast-food, queijos gordos, frutos oleaginosos (nozes, amendoins, amêndoas, entre outros) e fritos;
  • Alimentos fermentáveis como leguminosas (ervilha, feijão, grão, fava), milho, pimento e couve;
  • Leite e derivados com lactose – os lacticínios sem lactose são, geralmente, melhor aceites;
  • Fruta com casca (a casca da fruta é muito fermentável, podendo causar desconforto abdominal e distensão) e frutas ácidas (kiwi, laranja, limão ou abacaxi);
  • Alimentos com alto teor de açúcar como bolos de pastelaria, bolachas com creme, chocolates e sobremesas lácteas.

Durante a doença em remissão recomenda-se fazer uma dieta o mais equilibrada possível, sendo imprescindível o acompanhamento por parte de um nutricionista que aconselhará o paciente quanto ao tipo de alimentação a realizar e a necessidade, ou não, de suplementação nutricional.

Da mesma maneira que as mudanças na alimentação podem ajudar, alterar determinados comportamentos ou o estilo de vida também pode reduzir os sintomas que esta enfermidade causa.

Praticar yoga é benéfico, pois reduz os níveis de ansiedade e stress.

Para as pessoas com a doença de Crohn, aliviar a tensão é uma das melhores vias para evitar complicações.

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